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Ser desconhecido no começo é bom.

By on March 26, 2015 . Category Column

“Um nome famoso muito cedo é um peso bem pesado”, disse Voltaire. Estar sob chuvas de críticas e ser tema da língua afiada dos críticos não é para qualquer um que começa. Não pense apenas que ser conhecido é chegar a quem gosta do seu trabalho, é colher desafetos com paciente elegância de palavras de pelica. Ser famoso implica em ter uma ideia brilhante fresquinha para entregar a quem conta com você: editora, agente, produtor, gráfica, jornalistas e etc. Há uma cadeia que te demanda e nunca mais será só você e todo o tempo do mundo para seu caderninho. Pablo Picasso expressa isso bem, quando diz que “a tragédia quando somos famosos é que se tem de devotar tanto tempo a ser-se famoso.”

Não é à toa que alguns artistas são bicho grilo e ficam em casa trancados. É uma escolha delicada, apesar de compreensível, porque estamos na era do eu-mídia. Você gera conteúdo não só para livros, mas, blogs, revistas e todas as suas redes sociais. Com isso, expõe suas ideias e sua carinha linda. Sou dessas que não leva tudo as últimas consequências pela fama, como postar textos apelativas, escrever capítulos eróticos baratos (gosto de hot, sim, mas, inteligente)- ou um poeminha batatinha-quando-nasce só pra alguém ver. Eu procuro suar muito o tico e teco numa ginástica a fim de dar o melhor de mim, mesmo que não me torne famosa de imediato. O importante é eu me orgulhar e me sentir digna do meu trabalho.

Posso dizer que sou um pouco mais conhecida que antes. Oito mil seguidores é uma galera bacana. Mas, confesso que tem horas que sinto um tiquinho de saudade de quando eu tinha um blog simples de uma página e só meia dúzia de leitoras. Ali, eu tinha tanta liberdade para errar, testar, mudar e aprimorar. Não havia tantos pares de olhos sobre os meus ombros.

Quando bate uma aflição, eu lembro daqueles tempos e tento me sintonizar com ele. Digo um mantra interno “Se divirta. Se você não se divertir, não terá valido a pena, porque o dinheiro e a fama podem não vir, mas, você tem que ter curtido aquele tempo investido.” Fico conversando comigo mesma: “Hei, Li, você gostaria de ler esse livro que está criando? Riria e se emocionaria com este roteiro?! Porque você tem que ser a primeira a gostar para caramba!”. A resposta é chata: “eu, sim, mas, os oito mil vão?”. Tenso.

Por isso, aproveite esse momento que está começando pra aprender e testar. Duvidar e tentar. Ver e experimentar. “Antes de sonhar em ser um famoso guitarrista, aprenda a tocar violão”, falava Mikaela Dorsdt. Escreva muito para escrever muito bem. Posso não ter nascido com a genialidade de quem admiro, mas, me admiro por ser muito esforçada, organizada e empenhada em concretizar meus sonhos. Isso é o que posso alcançar a cada dia.

Então, não fique absolutamente tenso em ter sucesso na velocidade da luz. Escreva se divertindo, produza bons conteúdos que outra pessoa cresceria lendo e deixa fluir. Uma hora explode. E, se não explodir, você curtiu enquanto fazia. Lembre sempre disso para não entrar em depressão, de repente. Sim, isso acontece. Mas, falamos em outro post.

Conta pra mim, você já se sentiu pressionado ao menos um pouquinho pelo que ia produzir para seus seguidores? Pode abrir o coração pra mim!

* Por Li Mendi, embaixadora do Widbook, escritora, jornalista, publicitária e louca por literatura. Siga a autora no Widbook e conheça os seus livros!

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  • http://www.carinapilar.com/ Carina Pilar

    Adorei o post Li! “O importante é eu me orgulhar e me sentir digna do meu trabalho.”, amei este pensamento! Concordo com você! =)

  • http://limendi.com.br Li Mendi

    Carina, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. (Fernando Pessoa), mas, tem que ache que vale tudo, mesmo coisas de alma pequena… Então, devemos lembrar que quando a fama chegar, teremos que olhar para trás e segurar o peso do que fizemos. E quando nós passarmos, que fique aqui textos e mensagens que façam alguma coisa de melhor pelas pessoas, pois, são as pessoas que mudam o mundo. Os livros mudam as pessoas. Então, nós mudamos um tiquinho nosso planeta. Beijos e quero te ver mais por aqui no Blog!

  • Sara Hayali

    Li, bom dia, esse post caiu como uma luva para mim hoje… Escrevo desde os sete anos, escrevo para organizar meu pensamento, para me aproximar das amigas, para agradar e brigar com namorados… escrevo, escrevo e escrevo … mas nunca profissionalmente… Mas, seguindo uma proposta de uma terapeuta para reconstruir uma situação conflituosa decidi escrever um livro, um romance da vida real com começo, meio e fim. Escolhi o widbook, e tenho me apaixonado por essa atividade… Mas quando escrevemos queremos sempre a opinião do outro, queremos sempre saber se está agradando, se faz algum sentido tudo aquilo que está sendo escrito… E passamos mais a desejar aprovação do que diversão, e acabamos por disvirtuar o caminho…. Obrigada por suas palavras… ativando o modo divertimento em 3, 2 1.. bjo

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