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Resenha do ebook “Mar de Quimeras e outras histórias”

By on November 27, 2014 . Category Ebook Reviews

Inicio hoje uma coluna aqui no blog onde, como curador oficial do Widbook, farei resenhas de alguns livros que li. Este novo projeto se inicia com o livro: Mar de Quimeras e outras histórias de Gladson Targa. Tal livro é formado por quatro contos fascinantes, tanto no conteúdo temático, quanto no conteúdo estético. Deste modo, escolhi tratar somente de um deles, deixando para o leitor o deleite dos outros três textos. O conto escolhido foi o Mar de Quimeras.

Ao lidarmos com o conto (gênero literário) e sua extensão, teremos, na maioria das vezes, um recorte de algum fato. O que aconteceu antes e o que acontecerá depois estará sempre no campo da possibilidade. Assim sendo, Mar de Quimeras não é diferente. Jonas é o personagem principal, não sabemos nada sobre a sua origem e nem sobre o seu futuro. Como narrador em primeira pessoa temos os seus constantes fluxos de consciência, figurando como um sujeito e um herói solitário numa cidade grande.

 

“A boca do peixe abriu…”

A narrativa conta a história de um dia na vida do Jonas. Mostrando sua rotina eterna, logo cíclica, desde o levantar pela manhã, até a hora de dormir. Em cada fase, e nos espaços apresentados existem alguns elementos interessantes; de como é o seu apartamento, os diálogos com os objetos do mesmo, como é andar pela cidade grande (o peixe), como é a etapa do trabalhar, por fim, o retorno ao ponto de início. A única certeza está na constância de todos esses eventos.

Durante a leitura todos certamente irão observar dois temas marcantes: a solidão e o peixe.

Com relação à solidão já no início da narrativa, essa estará em destaque através dos diálogos entre o Jonas e os vários objetos do seu apartamento. Os objetos surgem como personagens no enredo. Personagens que suprem a necessidade de dialogar existente no ser humano. Estes diálogos mantêm a sanidade de Jonas e ameniza sua solidão.

Numa outra obra de ficção – sem nenhum tipo de comparação – na tentativa de manter a sanidade, encontramos o famoso personagem do cinema: Chuck Noland do filme Náufrago (2001). Ao dialogar com o Wilson; uma bola, ele tenta manter um diálogo que o afaste do isolamento e, da loucura. Os diálogos de Jonas com os objetos não são meramente alegóricos, eles exprimem o que é conveniente para viver no seu mundo solitário.

O próximo ponto marcante é o peixe. Nesta temática temos duas escolhas; acreditar que os acontecimentos são reais e ele está realmente dentro de um peixe e dentro desse existe um mundo (figurativo de uma cidade grande), ou aceitar que o enredo é fantástico puro e irreal como algumas histórias literárias. Esta abordagem coloca-nos no linear entre o fantástico e o real.

Ao possuir o nome: Jonas e, estando dentro de um peixe a primeira ligação que faremos é com o personagem bíblico. O próprio texto traz esta possibilidade e ainda indica algumas outras obras de ficção na mesma linha.

Poderíamos afirmar que o tema estar dentro de um peixe, num plano de fundo, apresenta-nos uma missão, um ensinamento. Teremos um condutor levando o personagem a realizar alguma ação. Assim, não sabemos qual seria a missão do Jonas, muito menos como, nem quando ele realizará. Sabemos que ele segue solitário dentro deste peixe urbano.

 

“… A boca do peixe fechou.”

Chegamos ao fim dessas considerações. Escolhemos alguns aspectos de vários outros que poderíamos mencionar. Cabe a cada leitor, agora, criar as suas próprias considerações, tanto das ideias expostas, quanto daquilo que encontraram de novo no conto. Vale a pena ressaltar; o conto tratado faz parte de uma coletânea. Portanto, leiam e acompanhem o livro Mar de Quimeras e outras histórias.  

 

* Por Artur Gueanori, escritor e curador do Widbook. Siga ele e leia seus livros na plataforma: https://www.widbook.com/profile/artur-gueanori

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