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O dia em que conheci Raphael Draccon e Carolina Munhóz

By on September 17, 2014 . Category Em Português

Por Lucas Amaral, autor de Vestígios Heroicos, no Widbook. 

 

Às vezes as frustrações nos fortalecem. Não imediatamente, de fato. Ao fim das entrevistas que realizei com Raphael Draccon e Carolina Munhóz, dois dos maiores ícones da literatura fantástica nacional, é possível imaginar qual foi o malogro ao, acidentalmente, apertar o delete do telefone. Foram quatro horas de trabalho perdidas. Duas tentando convencer os meus chefes sobre a importância do encontro com um ídolo. Uma hora e meia para chegar ao shopping e mais umas tantas de espera. E duas pequenas porções de quinze minutos – uma para cada entrevista – perdidas, eternamente, após o toque equivocado. Isso sem contar com alguns bons dias de lamento. Às 23h do dia 9 de setembro, ali estava eu, com o celular em mãos em meio a um Diamond Mall quase vazio, com cara de final de livro com sequência, vendo os dois se afastarem. Uma página virada.

Mas como diria um dos mais célebres personagens de Joe Abercrombie, Logen Nove Dedos, é preciso ser realista com essas coisas. Me lembrei de bons momentos com o casal, com o perdão do trocadilho e a licença para o clichê, mais fantástico da atualidade. E, baseado neles, irei contar minhas impressões sobre o evento de lançamento dos livros “Cemitério de Dragões”, de Raphael Draccon, e “O Reino das Vozes que não se Calam”, de Carolina Munhóz e Sophia Abrahão. E, claro, sobre os nobres ícones da literatura brasileira, representantes dessa nova geração que conta também com os famigerados Affonso Solano, Eduardo Spohr, Leonel Caldela, entre outros.

Confesso que me surpreendi. Eu não fui até o evento apenas como embaixador do Widbook, mas também como um grande fã de Raphael Draccon, autor de livros renomados como Dragões de Éter. Eu realmente o admiro, tanto como autor quanto como pessoa. Ele é daqueles caras que, se percebe, mesmo à distância dos olhos – ou dos ouvidos, como em alguns dos podcasts que ouço regularmente, o quão humilde é. Ainda assim, é difícil não engrandecer alguém por quem se nutre tamanho respeito, e os segundos antecedentes ao encontro foram um tanto quanto retesados.

Quase automaticamente a tensão se foi. É engraçado. Quando se vê heróis como pessoas, frente à frente, é como se muralhas tombassem. Estavam ali, lado a lado, me tratando como velho amigo, embora sejam gloriosos aos olhos das dezenas de fãs que preencheram rapidamente a livraria Saraiva em Belo Horizonte – assim como aconteceria depois nas demais cidades da turnê.

Só mais tarde entendi. O casal Draccon, embora de carne e osso, efluem a aura típica dos heróis inalcançáveis. Mas, diferente dos deuses olimpianos, não se veem acima de ninguém. A verdade é que a rotina de escritor de renome é cansativa, e ambos estavam exaustos, mas suas estaminas são preenchidas com gritos de fãs, eu sei. E os olhares apaixonados eram retribuídos – algo incomum na relação entre ídolos e fãs.

Raphael era, de fato, um rapaz modesto, como imaginei. Mas não sabia que poderia ser também um doador. A cada fã, pequeno, grande, homem ou mulher, momentos preciosos de atenção eram cedidos, mas não a título de solidariedade como fazem alguns astros. Raphael realmente os considera amigos – embora sequer os conhecesse segundos atrás -, haure suas palavras e conselhos, dedica-se ao momento e o torna especial também para si.

Ao seu lado, Carol adentra mil quartos de jovens amigas, tornando-se cúmplice de cada um de seus fãs, como crianças revelando seus sonhos uma à outra. Aliás, de fato, se as fadas ainda são como as de minha juventude, não seria difícil imaginá-la como uma. Ô êxtase é devolvido em proporções similares, abraços e carinhos redobrados e presentes retribuídos com overdoses de solicitude.

O casal parece ter devotos, ávidos como legionários, pulsantes como de fato são os fanáticos pela literatura fantástica. Não é exagero algum dizer que me senti adulado ao conversar pessoalmente com cada um deles por um quarto de hora. E, graças a isso, mandei as lamúrias ao longe e, como soldado em combate, vim trazer o relatório. Raphael e Carol são, sem dúvidas, dragão e fada do mundo real.

 

Recado a novos autores

Bom, como representante do Widbook, me sinto na responsabilidade de repassar  – já que a memória não me faz capaz de transcrevê-los – os conselhos colhidos aos futuros autores. Carolina fez questão de lembrar que plataformas como o Widbook são muito importantes para a descoberta de novos talentos, já que a internet possibilita algo que autores do passado não puderam desfrutar, e frisa que é importante ter a obra completa e registrada na Biblioteca Nacional antes de enviar às editoras. Já Raphael descreveu sua dura caminhada até ser publicado pela primeira vez, e disse que existe muito material de baixa qualidade na internet, mas também há dezenas de bons autores surgindo. Apesar disso, o mercado ainda não suporta tantos bons talentos, então aqueles que tiverem perseverança e paciência podem se destacar.

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