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O capista deve ler a obra?

By on December 15, 2014 . Category Capa

Olá, pessoal, este é o nosso segundo artigo da série sobre capas de livros. Nunca é demais lembrar que estamos tratando o assunto como se todo o sucesso do produto editorial dependesse delas.

Hoje nós vamos discutir sobre a obrigatoriedade do capista ler toda a obra ou apenas um resumo, ou apenas a sinopse… ou apenas ouvir o “discurso do elevador”[1] contado pelo(a) autor(a).

Por incrível que pareça, nem sempre o(a) autor(a) é a melhor pessoa para descrever o que quer da capa, principalmente quando o livro está em mãos de editoração profissional e lançamento tradicional por editoras. Quando diretores de arte ou profissionais de marketing estão envolvidos no lançamento de um livro, eles vão tratá-lo impessoalmente e isso colabora para que resultados concretos sejam alcançados, mesmo que de uma maneira mais fria. E o tratamento dado à obra nessa situação é muito parecida com o passadio do ambiente cinematográfico, no tocante aos seus cartazistas.

Para realçar esse paralelo, trago o exemplo de que mesmo os designers que irão trabalhar com fotografias dos personagens e algumas locações para produzir o cartaz, é crucial que conheçam o que estão produzindo. E repare que hoje o cartaz nem é tão fundamental para o sucesso de um filme, como a capa é para um livro. No cinema, todos leem o script (roteiro), e alguns profissionais dessa área chegam a ter um roteiro próprio — iluminação, filmagem…

 

Tudo isso é para transpor a ideia da importância de que os profissionais envolvidos em criar uma capa interessante devem conhecer substancialmente a história que irão vender de maneira visual, através de apenas uma imagem.

 

Sei que pode parecer absurdamente mais simples chegar para o designer, para o sobrinho ou para o vizinho e falar olha, fulano, estou escrevendo um livro sobre um assassino em série. Será que você pode fazer uma capa pra mim? Eu tava pensando em colocar uma fotografia, pode ser qualquer uma que você encontre na internet, de um cara segurando uma faca com sangue…

Nem que seja a sua primeira auto publicação: NÃO FAÇA ISSO! Rsrs Eu explico por que não: As pessoas costumam olhar qualquer obra literária com uma suposição básica que aquilo é uma produção minimamente profissional, ou seja, a capa não é lugar para demonstrar amadorismos. E, pior, dessa maneira só as pessoas que te amam vão comprar o seu livro (às vezes, nem elas, eu sei…). É muito melhor que você, mesmo sem um puto no bolso, entregue um original registrado para algum profissional da área (de preferência que você saiba que gosta do gênero) e solicite-lhe um orçamento. Deixe que ele se apaixone pela sua obra, faça-o imaginar capas e compará-las com os gostos do público identificado. Faça com que sua história provoque-o a pensar numa solução de como melhor vendê-la através da capa.

Aí, depois, vocês discutem sobre as formas de pagamento. Se o profissional gostar da obra, ele não vai querer perdê-lo e com certeza facilitará as condições. E nada melhor que a sua capa tenha toda a essência da obra e ainda seja condizente com estudos de público.

 

Por Rafael Magnani. Rafael trabalhou durante alguns anos com produção editorial e gráfica, sendo um dos proprietários de uma gráfica e editora de pequeno em Curitiba. Siga o Rafael no Widbook.



[1] ”Discurso do elevador” é um resumo ultra rápido contado por uma pessoa. Geralmente o cenário desse resumo é uma viagem de elevador.

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