O autor deve conversar com o leitor no livro?

By on December 03, 2015 . Category Column

A primeira vez que tive contato com esse diálogo autor-leitor em livro foi em um clássico, aqueles livros de Romance de época que lemos na escola. Então, achei interessante e até arrisquei nas minhas obras. Como as redes sociais são a plataforma de diálogo e críticas, rapidinho recebi algumas sobre esta técnica. (É duro receber críticas sempre, mas, se você tiver o coração aberto e humilde, elas podem te fazer crescer!)

O que meus leitores e resenhistas blogueiros me deram feedback de que quando o autor no meio do livro diz “Você leitor, o que acha disso?”, este quebra aquele mundo mágico onde o leitor está mergulhado! É como se o escritor espetasse a bolha e fizesse o seu público cair de volta no mundo real.

Então, eu decidi que no próximo livro que vou lançar, não tomarei mais mão deste artifício. Porque tudo o que não gostaria é que a pessoa tivesse essa quebra da ilusão de que toda aquela história está mesmo acontecendo. Afinal, a primeira sensação que o leitor sente ao ser indagado é “ops, isso aqui é só um livro e eu sou só um leitor”.

Claro que já houve pessoas que me disseram que curtiam. Mas, o número era bem menor dos que me indicaram para não repetir esse recurso de narrativa.

Eis que ontem eu ganhei um livro de presente (proibido me perguntar o nome!) em que havia esse vocativo para o leitor em overdose. E eu pude me sentir exatamente na situação de quem toda hora é chamado. E várias vezes eu caía da bolha da história de bunda de volta na cadeira do metrô. Foi horrível essa sensação. Porque não era só uma pincelada aqui e ali, era toda hora. Então lá estava eu toda animada com o desenrolar da briga do casal e o personagem falava comigo. Dava vontade de dizer pra ele “Nãooo! Não fala comigo. Fala com a garota!”

Então, eu trago aqui uma reflexão para você autor: será que alguns recursos de diálogo com seu público não podem ficar só fora dos livros nas suas redes sociais? Eu vou adotar essa separação daqui em diante. E sou muito grata aos leitores que me trouxeram essa visão.

Como diz Hermann Hesse: “Para a arte de viver, é preciso saber a arte de ouvir, sorrir e ter paciência… sempre.” E para viver como autor, é preciso se podar e voltar mais forte.

Agora, você leitor, me diga aí, o que acha quando isso acontece em um livro que está lendo?

* Por Li Mendi, embaixadora do Widbook, escritora, jornalista, publicitária e louca por literatura. Siga a autora no Widbook e conheça os seus livros!

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