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Kara por um dia – Um encontro com Pedro Bandeira em Pinhal

By on December 16, 2014 . Category Em Português

Apesar de diversos convites, por muito tempo evitei participar da vida cultural de Espírito Santo do Pinhal. Por uma série de motivos, isso não me atraia a ponto de frequentar as poucas atividades culturais da cidade. Preferia apreciar e produzir sem me envolver com nada e nem ninguém. Mas, a partir do momento que deixei esse pensamento de lado, tive diversas experiências inesquecíveis, inclusive participando da organização de eventos.

A partir do momento em que passei a fazer parte do time de organizadores de eventos literários, tive como proposta apresentar ideias que poderiam ser apreciadas por todos os públicos, especialmente os mais jovens.

 

Como em toda cidade do interior, o foco sempre foi o pequeno grupo de intelectuais, mas obviamente achava imprescindível que isso mudasse. Não porque os eventos eram ruins. Só achava que para formar leitores era preciso criar oportunidades e, mais do que isso, apresentar atrações que os possíveis novos leitores pudessem realmente apreciar.

 

A fala de um intelectual jamais conquistaria alguém que já não encontra prazer algum na leitura.

Com o objetivo de priorizar os jovens, sugeri diversos nomes que, em minha visão, conseguiriam aquilo que realmente desejava. Alguns foram aceitos para debate e outros completamente ignorados. Entre esses, alguns por motivos aceitáveis e outros por preconceito pelos gêneros que atraem as crianças e adolescentes — literatura fantástica, por exemplo.

Apesar de muita resistência, em nenhum momento desisti de incluir na programação um nome da literatura infanto-juvenil. Depois de muito insistir e criticar, finalmente minhas ideias foram aceitas e na programação da II Semana Edgard Cavalheiro, que ocorreu entre 25 de outubro e 01 de novembro, a grande atração foi Pedro Bandeira — um nome que dispensa apresentações.

(OBS: Assista a entrevista que o Widbook fez com o Pedro Bandeira em 2013 durante a maior feira de livros do mundo em Frankfurt, Alemanha, clicando aqui ou logo no final deste post)

 

Ao sugerir Pedro Bandeira, não estava pensando apenas na possibilidade de conhecer um dos responsáveis por minha paixão pelos livros. Mesmo não conhecendo grande parte de sua obra, sempre o considerei um importante nome da nossa literatura, principalmente pelo fato de ter sido lido por dez em cada dez amigos próximos. Ora, a presença do criador dos Karas tinha tudo para ser um grande sucesso e tinha a certeza de que faria muitos leitores felizes. Não deu outra!

 

Nas semanas que antecederam o evento, ajudei na divulgação em escolas e sempre que falava sobre o autor, era possível perceber o brilho no olhar dos pré-adolescentes que teriam a chance de conhecer um ídolo literário. Cada vez que comentavam sobre as obras do escritor, aumentava a minha certeza de que havia acertado ao sugerir que Pedro fosse convidado a participar do evento. Só esperava que a empolgação significasse também um público participativo.

No tão aguardado dia, passei horas agradáveis ao lado do responsável pelo início da vida literária de gerações de pessoas; o mesmo que esperava fazer sucesso na pequena cidade que foi berço de Edgard Cavalheiro, o maior biógrafo de Monteiro Lobato. Durantes a tarde e início da noite, fiz parte de um grupo de pessoas que estava sempre ao lado dele.

Éramos seus seguidores; ele o líder dos Karas.

O dia, no entanto, teria outras grandes surpresas, entre elas a possibilidade de entrevistar a principal atração da Semana Edgard Cavalheiro, evento que antes também teve o nome de Pin Pin de Literatura. Além disso, a oportunidade de sentar ao seu lado e ouvi-lo comentando sobre História, Política e Literatura, entre outros assuntos, criou um laço de amizade. É bem verdade que esse laço se desmanchou no fim da noite, porém reservou lembranças eternas.

 

Durante a entrevista e a conversa informal, Pedro Bandeira afirmou por diversas vezes que Monteiro Lobato foi como um pai para ele e também reverenciou o trabalho de Edgard Cavalheiro, afirmando que antes de estudar Lobato, é preciso obrigatoriamente ler Cavalheiro.

 

Ao longo dos três anos participando da organização do evento, tive a oportunidade de conhecer diversos escritores extraordinários, como Márcia Tiburi, Cadão Volpato e os imortais Ferreira Gullar e Antônio Torres. Todos esses encontros foram inesquecíveis, mas nenhum pode ser comparado com o último. Afinal, posso facilmente considerar Lobato como um bisavô e Pedro como um avô.

Com uma família literária dessas, só falta apenas ser um Kara por toda a eternidade.

Por Ricardo Biazotto. Ricardo é agitador literário de Espírito Santo do Pinhal e embaixador do Widbook, onde tem 2 livros publicados. Siga o seu trabalho no Widbook.

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Em 2013, durante a Feira de Frankfurt, Pedro Bandeira bateu um papo com o Widbook sobre o mercado, confira:

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