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De onde tirar inspiração para os livros?

By on March 26, 2015 . Category Vida de Escritor

Você tem o nariz da sua mãe, o cabelo do seu pai, aquela pinta da sua avó. Ou seja, há uma genealogia falando do passado, no seu corpo. Também no seu trabalho artístico, haverá marcas daqueles que te inspiraram. Para ser “marcado”, não fique aí esperando estudar na melhor escola de artes de outro país, ou se lamentando por nunca poder ter esse sonho. Os melhores artistas tinham o autodidatismo.

Compre livros, acesse palestras no Youtube, faça cursos pocket, vá a palestras, visite museus. Faça o que está ao seu alcance para construir sua árvore de referências, não espere o impossível. Até porque você pode se dar conta que seus heróis já morreram e não vai conseguir assistir a uma palestra deles. Não sei se você, como eu, é apaixonado por artistas que já se foram e verdadeiramente tocam sua alma quando ouve sua música, vê seu quadro ou lê seus poemas.

Gaste horas devorando-os, torne-se íntimo de seus trabalhos. Até que encontrará alguns com quem se identifica tanto que perceberá que seu texto cada vez flui melhor e mais fácil. E não se envergonhe disso. “Arte é furto”, dizia Pablo Picasso. Todos treinaram os primeiros passos da sua escrita ou pinceladas olhando para um aspiracional acima. Até que, num dado momento, você está tão maduro para voar sozinho, que imprimirá sua marca própria, aquilo que faz os outros reconhecerem que é uma obra sua, mesmo que não haja veja imediatamente seu nome.

Eu procuro ler mais autoras que tem um estilo no qual sinto mais facilidade de produzir. (Também acompanho outras obras diferentes disso.) Mas, como artista moderno, você tem pouco tempo, então, seja seletivo na era da super informação. Não dá para apreender tudo, busque o que lhe ajudará a ser melhor e mais inspirado. Mas, caminhe pelos outros segmentos de arte semelhante. Por exemplo, como eu curto livros de comédia romântica, eu gosto de ir a peças bem humoradas e vejo seriados nesta temática. Nem se fala dos filmes que consumo nas horas vagas e me deixam morrendo de vontade de começar a escrever.

“Comece copiando o que você ama. Copie, Copie, Copie, Copie. Ao final da cópia, você encontrará a si mesmo”, dizia Yohji Yamamoto. Copiar não é plajear e usar um trecho de outro sem créditos. Queremos dizer aqui seguir o “mesmo ritmo”, o “mesmo estilo literário”, a “mesma pegada” artística.

Até quando está longe da caneta e do teclado, você está produzindo, porque a inspiração é parte do processo de criar. Sem ócio criativo, você vai ter excesso de produção sob níveis de estresse. É necessário arejar a mente e dar uma bagunçada nos seus preconceitos. Outras obras de arte podem te encher de perguntas. Sim, tenha muitas indagações e aprenda a sofrer com elas até que seus livros tragam algumas respostas para seus leitores.

Sério, seu caderninho é o seu melhor amigo. Anda com você forever. Anote tudo, qualquer rabisco. E deixe sua cabecinha fresca para não ter que lembrar disso e se ocupar com a próxima observação.

Tenha seus mestres com carinho como seus pais e heróis. Esse é o passo para saber qual é sua identidade artística.

Compartilhe conosco quais foram e são suas referências?

Volto no próximo post com mais um pouco dos bastidores da criação. Quer dar sugestão de post, participe!

 

*Por Li Mendi, embaixadora do Widbook, escritora, jornalista, publicitária e louca por literatura. Siga a autora no Widbook e conheça os seus livros!

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